Raio-X das rodovias brasileiras: O que diz a nova Pesquisa CNT e quais os impactos no transporte de cargas

Raio-X das rodovias brasileiras: O que diz a nova Pesquisa CNT e quais os impactos no transporte de cargas

Por: Platinao - 16 de Janeiro de 2026

A infraestrutura rodoviária é responsável por movimentar cerca de 65% das cargas do país. Recentemente, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou os resultados da sua mais abrangente pesquisa anual, trazendo dados essenciais sobre o estado de conservação das estradas brasileiras.

O Cenário atual: Melhora tímida, mas desafios persistem

A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou mais de 114 mil quilômetros de malha pavimentada.

O estudo aponta uma leve recuperação na qualidade geral, impulsionada pela retomada de investimentos públicos e pela eficiência das concessões.

  • Estado Geral: 37,9% da extensão avaliada foi classificada como Ótima ou Boa, um avanço em relação aos 33% registrados em 2024.
  • Pontos críticos: Houve uma queda de 12,3% no número de pontos críticos (buracos grandes, erosões e quedas de barreiras), passando de 2.446 para 2.144 ocorrências.
  • Pavimentação: 43,5% do pavimento nacional está em condições satisfatórias, enquanto a maioria (56,5%) ainda apresenta algum tipo de deficiência.
  • Investimento necessário: A CNT estima que seriam necessários quase R$100 bilhões para reconstrução e manutenção completa da malha.

Rodovias paulistas no topo do ranking

Um dos grandes destaques da pesquisa é a hegemonia de São Paulo. O estado concentra a maioria das melhores rodovias do Brasil, o que reforça a eficácia do modelo de concessões e do investimento contínuo. Trechos como a SP-270 (Raposo Tavares) e a SP-348 (Bandeirantes) aparecem entre as mais bem avaliadas do país.

  • Padrão de qualidade: Das 20 melhores rodovias do ranking nacional, 14 estão localizadas em São Paulo, sendo a maioria sob gestão privada.
  • Norte e Nordeste: O Piauí se destacou como líder de qualidade nas regiões Norte e Nordeste, ocupando a 5ª posição no ranking nacional de estados com melhores condições viárias.

O custo da "estrada ruim" para o transporte rodoviário de cargas

A má qualidade das rodovias não é apenas um problema de conforto ou segurança; é um gargalo logístico que encarece toda a cadeia produtiva. Veja como as deficiências na infraestrutura influenciam o transporte rodoviário de cargas:

  1. Aumento nos custos operacionais: Rodovias em estado regular, ruim ou péssimo elevam, em média, 31,2% o custo operacional das transportadoras. Em vias públicas (geralmente menos conservadas que as concedidas), esse impacto pode chegar a 35,8%.
  2. Desperdício de combustível: O asfalto irregular e os buracos aumentam o consumo de diesel. A estimativa é de um prejuízo anual de R$7,2 bilhões apenas com o desperdício de combustível.
  3. Manutenção dos veículos: Estradas em más condições reduzem a vida útil dos pneus, sistemas de suspensão e freios, exigindo manutenções corretivas muito mais frequentes e caras.
  4. Insegurança e roubo de cargas: Trechos com baixa sinalização ou pontos críticos obrigam os motoristas a reduzir drasticamente a velocidade, tornando-os alvos mais fáceis para sinistros e roubos.
  5. Perda de competitividade: Com o frete mais caro devido a esses custos extras, os produtos brasileiros perdem competitividade tanto no mercado interno quanto nas exportações.
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